Nesta quarta-feira, em plena semana de carnaval, seu Didi nos disse adeus. Talvez “até logo”, eu estava longe e não consegui ouvir direito... Vale a pena mencionar: isso é coisa típica de gente como seu Didi mesmo! Ele esperou passar todo o carnaval, deixou todo mundo festejar a vida sem dores e celebrar a alegria, deixou as moças fantasiadas passar pela avenida primeiro, e só depois, no dia que é chamado Quarta-Feira de Cinzas, deixou-se ir. Num dia calmo, com mais descanso, mais silêncio. Quem pensava que sua despedida foi naquele dia para deixar a quarta-feira ser mais cinza se enganou, foi para deixar o carnaval ser mais colorido.
Como muitos sabem, este dia marca sempre o início da Quaresma, e a data é um convite e símbolo para a reflexão sobre a Vida. Pode crer que vamos ficar refletindo…
Mais o simbolismo danado de seu Didi não pára por aí: este período termina exatamente com a Páscoa. A Quaresma marca o início da contagem para a Páscoa e a Páscoa encerra aquela. E o que é a Páscoa? É a celebração da Ressurreição, da Ascensão ao Céu, da Vitória sobre a morte, da contemplação e descanso eterno no encontro do Pai.
Então está dado o recado, seu Didi.
Esse cara, apesar da aparência simples e o humor fácil, era um cara muito forte de espírito.
Em 2008 o filho de seu Didi (e tio de Marco), Sérgio, despediu-se de nós aos 42 Anos. Uma fatalidade: infecção hospitalar. Sérgio era campeão de surfe e apesar de já longe das ondas há uns anos e mais próximo das mesas de sinuca e bilhar ainda tinha saúde e um estado de espírito jovial, jovem até demais, e dele tenho menos lembranças, mas as que tenho são sempre carinhosas, normalmente na companhia de Rosa, a papagaia que vivia com eles e com quem pareciam ter uma conexão sobrenatural (acho que o bicho pensava que era da família… e era). Ninguém ensinou Rosa a dizer adeus, mas ela nos disse antes de todos, já muito velhinha, há uns 10 anos atrás . Se eu pudesse fazer uma aposta agora, diria que Rosa é o “membro” da família mais alegre no momento pois ganhou de novo a companhia do Sérgio e de seu Didi lá no céu, onde com certeza tem papagaio, surfe, bilhar, e gente boa do calibre de seu Didi.
Há muitos anos uma amiga minha da escola, uma guria assim da minha idade, num especial do Dia das Crianças de um jornal de São Luís onde os filhos do pessoal das colunas sociais da cidade foram entrevistados, ao ser perguntada quem era o melhor amigo dela respondeu que era “Lucas, que estuda comigo”. Naquele domingo há mais de 10 anos eu tinha saído com a família de Marco e estava lá na casa de seu Didi, numa tarde ociosa depois de um almoço bom mas cheio de calor, e ele, com aquele seu jeito sempre próximo, disse: “Meu filho, guarde este jornal. Daqui a muitos anos as vidas de vocês vão ter mudado, tu nem sabes onde é que cada um vai estar, mas você vai voltar a olhá-lo e vai se lembrar para sempre e com carinho disso tudo”. Seu Didi estava certo, as nossas vidas mudaram e o tempo passou. O jornal eu não tenho mais, e nem contato com aquela pessoa que se afastou pouco depois, mas com seu Didi, que nunca foi abordado por nenhum jornal (para azar da civilização), falei até bem mais tempo depois, e o resto da “entrevista” eu esqueci, mas não as palavras que ele me disse, e é delas e dele que eu vou lembrar para sempre e com carinho.
Este simpático avô de Marco era relojoeiro. Durante décadas consertou e construiu relógios. De tempo ele entende. Mas os relógios da Terra, quando param, tem seu Didi para cuidar, já os relógios do Céu tem um outro relojoeiro, tão cuidadoso e sensível quanto o primeiro, e lá eles não param. Mais uma coisa que podemos ser gratos por ele nos lembrar.
Eu não sabia do estado de saúde dele (até porque ele sempre exibia muita vida, alegria, e não falava dessas coisas) mas Marco, fazendo bem, me informou do que aconteceu, e num e-mail me escreveu:
“Ele gostava muito de ti e acredito que tu também gostavas bastante dele. Lembro que vocês, quando se encontravam nos velhos tempos, ficavam trocando piadas... Enfim, agora ele viverá para sempre em nossas lembranças como o homem carinhoso, amável e divertido que foi em vida e só nos resta rogar para que a Força disperse a sua energia pelo universo convertendo em mais vida e espalhando a sua alegria onde nenhum homem jamais esteve.”
Amém. Obrigado, Marco, pelo cuidado de escrever e pelas palavras sensíveis e amigas. A “brincadeira” é muito “séria” às vezes, e aqui será mais uma vez:
Seu Didi, que a Força esteja com você!
E como diria Daniel: “Ela está no meio de nós!” Com a família e os amigos, inspirados na sua pessoa para fazer da vida uma realidade sempre melhor.
Aliás, Daniel e seu Didi estão na companhia um do outro, é ou não é para nos tranquilizar? Gente boa como esses dois me dá a certeza que o céu é um lugar divertido, seguro e de muitas risadas.
6 comentários:
Lucas querido, gente amada vive para sempre em nossa memória.
Paz eterna para o amigo Didi! E nossos cumprimentos à família de Marco Túlio.
Fantástica homenagem.
bjosssss
Filho, depois de suas palavras, fico sem ter o que dizer. Um grande abraço fraterno para toda a Família de seu Didi, que nos deste o prazer de compartilhar conosco, em especial ao nosso amigo Marco Túlio.
Lindas palavras, senti vontade de ter conhecido o seu Didi.
Concordo com Nanda,dá mesmo vontade de ter conhecido seu Didi.Mas as memórias de Lucas expressam toda a beleza do ser humano q ele foi.E, hoje, desejamos q ele seja uma das estrelas mais brilhantes q nos iluminam do céu.
Muito linda sua homenagem Lucas, e eu realmente acredito que essa sua colocação de "deixou-se ir" exista mesmo.
Existem pessoas que passam na nossa vida e ficam!
Muitos beijos carinhosos para você.
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